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A SAUDADE É A NOSSA ALMA DIZENDO PARA ONDE ELA QUER VOLTAR...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

As estórias que voam...

Hoje quero contar-te estórias que voam, meu pequeno.
Vou tomar a tua noite e falar-te de fadas trapalhonas, príncipes semi-galantes, anões resmungões e àrvores que falam ao vento; sussurar-te todos os seres azuis que habitam o universo.
Quero contar-te sobre aquela cidade (feita de: rubis, turquesas e bolo de chocolate) onde as crianças correm descalças e riem sempre que vêem o mar, onde os gatos preguiçosos se aninham no colo de qualquer um que lhes assobie uma canção de ninar.
Ali ao fundo, vês, atrás daquela estrela cadente, no sítio onde as estradas se cruzam sempre ao pôr-do-sol! É aí que está; é para aí que as andorinhas voam.
Vou dizer-te da magia dos dias sempre quentes e o maravilhoso das noites deste país de conto de fadas, onde trovadores apaixonados cantam à lua que lhes pisca o olho matreira.
Vais querer que conte outra e outra vez as aventuras dos cavalos alados, com estrelas nos olhos, que saltam pelo infinito a alinhar planetas.
Vais chorar quando te falar da menina que perdeu a luz do coração, mas, logo de seguida, trago um mago para a estória que a salva e que te enxuga as lágrimas.
E vou embalar-te nos meus braços, no lusco fusco que se escoa de uma janela pequena, pendurada no tecto; e beijar-te até ao fim do mundo, enquanto te sussurro estas velhas lengalengas que aprendi em menina.
E tu vais sorrir, enquanto esfregas os olhos de sono, aconchegado entre os lençóis e o meu peito; e vais adormecer, assim enrolado em mim. E eu vou sorrir, aconchegada entre os teus cabelos de mel.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

...

"arrogantemente, vou chamar-lhe sinopse."

alfredo dixit
p.s.: está tudo em minúsculas em tua honra.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

My swallow!

Presenting Miss Lady Bird: she's cute, she's sweet as candy and she "flys"!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A noite

Pela cidade, pelas ruelas, pelas quelhas, pelos becos, em cada berma de estrada, a música anda à solta.
O vinho desce gargantas desesperadas que pedem mais...
Ouve-se o troar incessante de pedaços de corpos que caem em êxtase.
Correm os seres humanos, doidos, à procura do ritmo certo.
Gritam as mulheres, xãmas-mães perdidas, em danças rituais de acasalamento; deseperadas pela fertilidade aparente de todos os gays da rua.
Os homens olham com inveja para tudo o que não podem alcançar; querem ser lobos e acabam cordeiros no meio das pernas da bruxa mais shakespiriana que encontram.
Respira-se o riso solto e as ancas que balançam e a dor de não ter e o prazer de perder e a cura de encontrar e o jogo de querer e mais que venha...
E a música não pára e a exaltação começa.
E os braços que não chegam, os braços que agarrem o corpo que desliza suado na pista, só para ti, que não tens nome nem cara.
Todos querem comer quem são.
Todos querem a música.
E grita a Amy: "Love is a losing game" e todos gemem em angústia mal disfarçada, como coiotes perante uma lua cheia.
Perdem-se almas no fumo de cigarros mal acessos e vislumbram-se beijos na penumbra de cada antecâmera da noite.
E eu, Shotgun Daisy, no meio de tudo, desta cadência... solto gargalhadas, nesta roda viva da música que me faz hesitar; porque no fim de tudo o único som que ouço é o da tua voz que me foge.

Mateus: the sexy, crazy babe!

O segundo afilhado lindo!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Considerações sobre o maravilhoso nada

Eu nada.
Tu nada.
Ele nada.
Nós nada.
Vós nada.
Eles nada.
Eu, nada mais posso.
Tu, nada a relatar.
Ele, nada a ver, é tudo a dispersar.
Nós, nada queremos senão querer.
Vós, nada quereis senão ver.
Eles, nada senão perder.
Tudo um maravilhoso nada.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

No vai-vém das marés

Vê-me voar como gaivota em alto-mar.
Procura-me o corpo nu, envolto em poeira de estrelas.
Vou sorrir-te se vieres,
Sentada, à beira-mar, na espuma da maré.
Serei quase mulher em tuas mãos,
Na areia quente do teu abraço.
Mergulho em ti e volto ao princípio,
Eu gaivota, tu poeta,
No momento do entardecer.
Até voltarmos a não ser àgua, seremos oceanos.

Turn the lights down, its time to Jazz!


Ouvir Jazz, ao vivo, é como ser envolvida pela nuvem do fumo de um cigarro, elegantemente cativo nos lábios da Ava Gardner.

É um deleite e um privilégio, mesmo que a roupa fique a tresandar.


P.S.: Obrigada aos meninos dos A. Mu. Mu. Ja. por uma grande noite de relaxe e de música.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Faith no more - Easy...

...like sunday morning.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Count Duckula & the Space man


Space man: What day is it?
Count Duckula: It's May the 4th.
Space man: Well then, May the 4th be with you.

(Piada foleira, a roçar a secura, em jeito de gozo à Guerra das Estrelas. Exactamente como eu gosto!)

Sessão dupla









"Les diaboliques" est fantastique!!!!

"Sweeney Todd"... Tim you could do better.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cadáver pouco esquisito

J: Aquela coisa que tu fizeste em Itália?
S: Sim?
J: Se pudesses ias outra vez, para outra coisa do género, saías daqui?
S: Sim, saía.
J: Sim... sinto essa urgência em ti.

Casting


Procuram-se mãos que tenham ar
Ar de mãos que agarram mãos e colheres de sopa ao mesmo tempo
Mãos que tenham ar de quem sabe fazer festas a gatos
Ar de mãos que sabem apanhar dentes-de-leão e tulipas
Procuram-se mãos que tenham impressões digitais
Ar de mãos que sabem correr atrás de pés esquivos
Procuram-se mãos que sejam capazes de ler palmas das outras mãos
Ar de mãos que conseguem dançar
Procuram-se mãos que possam dizer bom dia em linguagem gestual
Ar de mãos que servem vinho quente
Procuram-se as mãos que se escondam tímidas nos bolsos de gabardines azuis
Ar de mãos que encaixam nas outras
Procuram-se mãos que sabem ser obscenas
Ar de mãos que são criança crescida
Mãos... de todos os tamanhos e feitios

P.S.: as respostas devem ser enviadas para este blog postal

sábado, 2 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

De volta por instantes.

Porto, 3 da manhã.
É a hora certa para sair; ligo o pequeno bólide vermelho e faço-me à estrada; vou ver a cidade, o rio e desembocar no mar. Trajecto planeado.
Quero cheirar a noite da minha cidade.
Acompanha-me a lua trapalhona, pendurada no céu por um braço.
Gosto destas horas no Porto, destas pausas respiradas que a cidade me permite, destas noites em que me perdoa por estar sempre a fugir para outros sítios; às vezes faz-me beicinho em coquette mal amanhada, mas como sabe que não tem jeito para figuras chiques, sussurra-me uma gargalhada ao ouvido e deixa-se de merdas.
Vou passando pelas tuas ruas, rádio ligado e mal sintonizado (será que as antenas funcionam pior à noite? Será que ainda tenho antena? Logo reparo melhor), passo: pelas casas velhas, pelos shopings novos, pelas pontes que se iluminam, pelos homens que te lavam as pedras da calçada, pelas putas e travestis que sorriem sem vontade, pela arte abandonada à rebelia na Avenida e que ainda ninguém reparou que lá não devia estar (grande Sesões que vens de tão longe ensinar como se faz!!!) e tudo respira noutra realidade; nunca nenhuma cidade será como tu, mais nenhuma tem esta mistura entre o brejeiro e o melancólico, a luz das àguas e o fantasmagórico dos teus nevoeiros.
Chego ao mar. Páro, sentas-te no meu colo, cidade, e fumamos um cigarro a meias, sem pensar. Ficamos assim um bom bocado, até os pés se queixarem do frio e as mãos ficarem roxas.
Volto ao bólide e ao rádio, que de repente funciona melhor (vá-se lá perceber!), e estou pronta a dizer-te um até já e ir para casa dormir; mas eis que... subitamente... se fazem ouvir os primeiros acordes da "Easy" dos Faith No More! Sem saber era mesmo isto que me apetecia ouvir hoje! E logo a seguir (UAU!) "Golden Brown", dos The Stranglers (que partida é esta? Quem está encarregue de me descobrir as músicas?); mais uma, logo de seguida: Chris de Burgh, "The lady in red" (a ficar cada vez melhor). Só pode ser um sinal para não parar de andar nas tuas ruas, pelo menos até a banda sonora perder qualidade ou ganhar uma coerência chata.
Desisto da ideia de ir para casa, troco as voltas ao trajecto planeado, saco da artilharia pesada, uma cassete (sim, em pessoa antiga que sou ainda tenho cassetes); Red Hot Chili Peppers, "Blood, Sugar Sex, Magic"; não posso confiar sempre no rádio, não vá de repente começar a dar Carla Bruni e estragar tudo; e entro em improvisação!
Viajo por todo o lado, por todas as ruelas, faço o rio e o mar de alto a baixo, visito os teus nichos, revisito o que me dá na real gana uma e outra vez, páro de vez em quando para fumar e ouço-te rir cada vez mais alto.
Tinha saudades tuas cidade.
Queria voltar para sempre, mas sabes que não seríamos felizes; tu não consegues deixar de ser um bocadinho possessiva e ciumenta (sabes que não aguento isso) e eu gosto demais de sentir a estrada debaixo dos pés, não consigo estar parada no mesmo sítio por muito tempo. Continuamos assim com pequenos momentos, é melhor; sabes que o meu corpo anda por aí, mas que o coração é teu. És a única amante que amo de verdade.
E estou feliz por ter voltado este bocadinho, com pés dormentes e mãos frias, a música chegou ao fim e estou cansada, mas tão feliz!
Agora sim, volto a casa; escrevo este texto meia enrolada no sono, abraço-me e adormeço como se estivesses a meu lado, com o teu cheiro no corpo.
Até já minha cidade.