segunda-feira, 14 de julho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
As ideias assassinas

Era uma vez uma menina azul e grave, que vivia num reino longínquo, onde os pandas sorriam quando o sol se punha em cima das mesas a contar estórias obscenas.
Ora a menina, que mudava de tom de azul consoante os seus estados de humor, vivia numa incerteza latente entre a realidade que a rodeava e o mundo de fantasia onde se movia secretamente; incapaz de perceber se de facto as malhas das estradas tinham coração de hiena ou se eram meramente figuras de estilo nas quais ela optava por acreditar.
Num dia em que acordou azul eléctrico pensou:
-Sou absurda... ainda acredito em fadas, em baleias assassinas e na música!
Ficou furiosa consigo própria e pensou novamente:
-Vou deixar de ser grave e ficar cor-de-rosa.
Tomada essa resolução, pouco a pouco começou a sentir-se ficar azul-bebé e por dentro, calmamente, esperou a mudança radical de cor.
Enquanto esperava e não acontecia, para que não desse por si aborrecida com a nova resolução decidiu sair de casa e passear até à orla da floresta que ladeava o seu tão longínquo reino.
Caminhou de forma segura e decidida, enquanto comia uma mão cheia de avelãs que roubara pelo caminho a um mercador boçal desatento; enquanto mastigava pensou novamente:
-Será que as estórias têm de ter príncipio, meio e fim? Ou será que podemos continuar impunes a massacrar os nossos leitores?
Não foi mais longe neste pensamento; caiu morta, redonda e em azul índigo, de uma apoplexia causada pelo esforço sobre-humano da mudança de cor.
Moral da estória: nunca filosofar sobre a grandes questões humanas num reino onde existam sóis obscenos.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Tenho sede
Quero àgua para beber, para passar nas palmas das mãos, para lavar a cara e o colo, para molhar os pés sedentos na terra pisada.
Quero àgua na boca, quero a àgua da tua boca.
Quero debaixo dessa àgua deixar morrer as velhas e saltar poças com dedos exaltados.
Quero água para lavar as vontades cabisbaixas que correm em lamaçal.
Quero água para me rir de ti e contigo no teu colo; quero àgua que nos encharque e que nos pese o corpo molhado na cama.
Quero àgua da chuva nas minhas veias.
Quero àgua na alma para te poder gritar "Eu amo-te" sem que percebas...
Tenho tanta sede!
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Gnarls Barkley-Transformer
As palavras na música...
P.S.: Obrigada Pedro era mesmo de ouvir isto que estava a precisar...
sábado, 17 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008
terça-feira, 22 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
A hipopótama mais linda!
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Um brinde:
aos bons encontros;
ao vinho no Maria Caxuxa e aos chás por todo o lado;
ao toureiro que lê Kafka;
ao Ramón Gomez de la Serna;
aos estacionamentos e aos rádios perdidos;
aos concertos e à confusão de Corações;
a Nova York (não te esqueças de voltar de visita, pelo menos);
ao tabaco de cereja que se enrola em cima da mesa, sem filtro;
às mãos que se apaixonam;
ao "cá estamos";
ao teatro;
ao nosso joão;
às runas e aos poemas que esquecemos;
aos óscares;
ao truque da garrafa;
a sermos boémias...
um brinde e um beijo para ti simplesmente Maria (como a fotonovela).
quinta-feira, 20 de março de 2008
Pelas três da manhã
Acabei de lavar o cabelo de joelhos e decidi pôr-me bonita para sair
Envolvi-me em palavras por dizer
Vesti aquele ser carinhoso que tu encontraste um dia
Pintei os olhos de negro e cinza de cigarro
Olhei-me ao espelho e sorri quando não me vi
Saí de casa e respirei fundo a poluição da noite
Parei para pensar e saiu-me uma música dos lábios
Decidi ir em frente sabendo que tropeçava nos papéis espalhados pelo homens do lixo
Cheguei à hora marcada por mim e não esperava nada
Bebi um Silvestre nesse bar desconhecido com música que cheirava a mofo
Olhei em volta e percebi que não era ali, fiquei na mesma, desfazada por não ser e aliviada por perceber
Esperei sentada, enquanto movia as ancas descadeiradas
Fiquei a ver as baratas a dançar o tango com pernas bambas
As palavras por dizer abandonaram-me e foram dançar com as ditas
O ser carinhoso apanhou um avião que passava ali ao pé e fugiu para outro país onde a música se canta noutra língua
Fiquei só negra, com a cinza de cigarro a pairar à minha frente
Cansei as ancas e voltei a casa para dormir.
Envolvi-me em palavras por dizer
Vesti aquele ser carinhoso que tu encontraste um dia
Pintei os olhos de negro e cinza de cigarro
Olhei-me ao espelho e sorri quando não me vi
Saí de casa e respirei fundo a poluição da noite
Parei para pensar e saiu-me uma música dos lábios
Decidi ir em frente sabendo que tropeçava nos papéis espalhados pelo homens do lixo
Cheguei à hora marcada por mim e não esperava nada
Bebi um Silvestre nesse bar desconhecido com música que cheirava a mofo
Olhei em volta e percebi que não era ali, fiquei na mesma, desfazada por não ser e aliviada por perceber
Esperei sentada, enquanto movia as ancas descadeiradas
Fiquei a ver as baratas a dançar o tango com pernas bambas
As palavras por dizer abandonaram-me e foram dançar com as ditas
O ser carinhoso apanhou um avião que passava ali ao pé e fugiu para outro país onde a música se canta noutra língua
Fiquei só negra, com a cinza de cigarro a pairar à minha frente
Cansei as ancas e voltei a casa para dormir.
terça-feira, 18 de março de 2008
Menina Craft
Ai... Ai... Já lá vai um certo tempo desde que isto foi feito.
Mas eu continuo a gostar muito desta pianista destrambelhada.
quinta-feira, 13 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Estes dias ando com vontade de:
Fugir para a beira-mar e molhar os pés, enquanto me rio às gargalhadas;
Cantar desafinado depois de 5 cervejas;
Descobrir músicas novas para cantar desafinadas;
Besuntar os meus amigos de chocolate e cobri-los de beijos;
Ouvir, com os mesmos, as músicas do Variações;
Me rir de piadas parvas;
Dar abraços acidentais e acidentados de ternura (abraços grátis oferecem-se);
Discutir ferozmente sobre os Beach Boys, fazer as pazes ao som de T-Rex e concordar que Os Zombies são do caraças;
Beber vinho em companhia de amigos que tragam amigos que, por sua vez, sejam amigos de amigos que tragam mais amigos (pode ser em minha casa);
Andar de baloiço até ficar tonta;
Voltar a ver os filmes do Ed Wood;
Aprender a fazer surf (o resultado será por certo desastroso);
Que me leiam a palma da mão e me digam uma data de coisas idiotas que possa contar ao pessoal em tom de galhofeira;
Visitar a Índia;
Fumar menos;
Tatuar o Chat Noir algures (tatuagens só em número ímpar, segundo me dizem, e não quero ter azar);
Tomar banhos de imersão, com espuma, a ouvir música pouco calma;
Dançar o Like a Virgin da Madonna em roupa interior pela casa;
Comer panquecas com chocolate e bola de gelado feitas pelo André;
Experimentar, a sério, a bola de Pilates que anda para aqui perdida meia a fazer de cadeira extraordinariamente não aerodinâmica e pouco confortável;
Arrumar a roupa espalhada pelo quarto e descobrir coisas que já me tinha esquecido que tinha;
Ir à louca, de carro, até Madrid para passar o fim-de-semana e acabar em Roma sem saber como;
Voltar a trabalhar a sério em coisas a sério, estou farta da gelatina profissional semi-pronta;
Me deixar de merdas e voltar a ser mais eu!
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