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A SAUDADE É A NOSSA ALMA DIZENDO PARA ONDE ELA QUER VOLTAR...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Helsínquia II

Engarrafamento!!!
Há sempre uma pressa enorme para sair dos aviões, levantamo-nos ao mesmo tempo, ansiosos por ar puro, por esticar as pernas, por escapar ao cheiro de comida de microondas, e acabamos todos por ficar em fila indiana, parados, demasiado perto uns dos outros e sem conseguir chegar ao compartimento onde deixamos a mala de mão; só nos resta sorrir para a pessoa da frente que nos calca e para a de trás que calcamos nós.
Quando consigo sair penso no rídiculo que é ter pressa, bem podia esperar que toda a gente saísse do avião, estou presa no aeroporto de Frankfurt durante quatro horas até apanhar o vôo de ligação para Helsínquia; bem concerteza há muito para ver e vou divertir-me imenso a passear por aí (adoro ser crédula)...
Bem; vamos começar o countdown: ligar os telemóveis; mudar a hora, olhar à volta e perceber onde estou - já bebia um café!!! Um a sério não àgua de lavar pratos... o drama do português sem o belo do café expresso!
Fazer o prometido, porque é devido, porque sim, porque também quero... Beijos... Beijos... Beijos... Beijos... Saudades... Já.
A mala de mão está demasiado pesada (chiça que não aprendo nunca... travel light!) mas vou dar uma volta por aí. Tecto baixos, passadeiras eléctricas no meio do corredor para facilitar o andar por aí, daquelas porreiras, estilo metro de Lisboa, onde se deres uma corrida parece que levantas vôo; mas talvez seja melhor controlar isso por aqui, não estou a ver a segurança aqui do sítio a gostar de correrias desenfreadas só por diversão.
Ah! Cá estão os cubículos Camel para fumadores, bem me parecia que me lembrava de algo do género; humm; ali nem preciso de fumar, basta entrar e snifar um bocado à volta que já acaba com qualquer traça que se tenha. Entro, ajudo um senhor que está cá fora a perceber como se entra e que me diz alguma coisa em alemão, sorrio, não tenho coragem de lhe dizer que não percebo; fumo, enjoo-me, saio antes do fim do cigarro; ok e agora?
Ando... Ando... Ando... Ando... Lojas: de marca, de revistas (encontro uma Maria entre as publicações internacionais!!! De todas as revistas possíveis logo esta?), carteiras, malas, óculos de sol, óculos normais, bebidas, cremes de beleza, perfumes, saldos, álcool, sandes, yada, yada, yada...Páro para tomar café (só há mesmo àgua de lavar pratos), comer alguma coisa... Rai's partam os preços... Olho para as horas no telemóvel convencida que já passou imenso tempo; uma hora, SÓ!!!! Ai, mais três pela frente (pior será a volta; em vez de quatro são seis horas e meia de espera em Frankfurt, se ao menos o aeroporto fosse outro, novo para descobrir!!! Oh Santo protector das viagens low cost dá-me forças!). Parece que é desta que acabo o livro que ando a renegar nos últimos meses, ou talvez não, detesto ler quando estou impaciente, não apanho nada. Já se vê.
Nunca tinha viajado entre aeroportos sozinha, por isso só agora me apercebo da irmandade de solitários que habita dentro do micro-universo que é o aeroporto, este limbo onde o tempo congela e se ouve o silêncio por trás do ruído das vozes, das malas de rodinhas, dos aviões e dos altifalantes que clamam constantemente por passageiros separados da sua passagem. Somos muitos, viajantes acidentais, ocidentais, orientais, em trabalho, em lazer; excluídos dos grupos, sem par amoroso, sem um irmão que nos acompanhe, que fale connosco nas horas de espera, que nos ature, então o que acontece é bonito, é como beber um chocolate quente numa noite fria de Inverno; criam-se micro-ligações entre nós, não há exactamente conversas, conhecimentos profundos do género vamos trocar número, email e vem ser o padrinho do meu primogénito, mas sorrimo-nos, trocamos duas ou três palavras, olhares de entendimento, asseguramo-nos uns aos outros que não estamos sozinhos, que o tempo não parou e que daqui a nada estamos fora daqui; e que esta sensação nem boa nem má, entorpecedora só, vai passar; pelo menos o tempo fica menos pesado.
Começo a ficar cansada, com calor, apetece-me deitar neste sofá de café e dormir um bocado, tento ler, olho para as pessoas, sorrio, observo, tiro fotos, tento ler, olho para as pessoas, tiro fotos, observo, sorrio, fico impaciente, tiro mais fotos, olho para as pessoas, sorrio menos, tento ler... e consigo, fico dentro do livro desta vez.
Acordo.
Beijos... Beijos... Beijos... Beijos... Saudades. Sabes que estou impaciente e aborrecida? Sim... está quase.
Ainda me falta hora e meia, decido dar mais uma volta, procurar o portão de embarque... estúpida; paguei um balúrdio para beber àgua suja e há máquinas onde se pode beber a mesma àgua de lavar pratos de borla, devias ter-te lembrado disso... Live and learn baby... and never forgett!
Um último encontro antes de embarcar, (50 minutes to go!!!!) um casal finlândes, sorridente, dos seus 50 e muitos, gostam de me ver a cantar com os auscultadores enfiados nos ouvidos, sorriem muito, sorriem-me muito, mostram-me outra vez a máquina do café, devo estar com ar de quem precisa de cafeína. Tento ler uns jornais ingleses, pouca coisa me dizem, desisto e fico-me pela música; Florence and The Machine saved my last minutes and maybe my sanity!
EMBARQUE!!!! Yuppi...
Mal entro e me sento adormeço automaticamente; quase doze horas em aeroportos cansam as meninas encaloradas com malas pesadas; acordo um tempo depois com o cheiro a comida de microondas; desta vez ainda é pior que da outra, nem vou descrever para não impressionar estômagos sensíveis; mas a sobremesa é porreira e deixa-me logo contente: waffer da Milka... Gulosa até dizer chega, a catraia! Fico um bocado acordada e finalmente acabo o meu livro fixo-me uns minutos nas últimas palavras e volto a dormecer (que sensibilidade a minha).
Acordo com o rebuliço de aterragem iminente!
Vistos de cima eles são brancos, brilhantes... de sonho...
Estou a aterrar no Natal! UAU!!!!
Nem que seja só por isto já valeu a pena...

2 comentários:

vent fou disse...

tu que não te queixasses

Miss Keatch disse...

Nem era eu... Mas depois acabei feliz!